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Diário

2009-06-06 A ausência da empatia

Deanna Troi: no futuro, só um betazóide terá empatia pelos humanos.
Deanna Troi: no futuro, só um betazóide terá empatia pelos humanos.

Essa postura da Conselheira Deanna Troi da Nave Estelar Enterprise deve estar descrita no livro O corpo fala… Quando liam o livro, se postavam assim, significando “tenho algum interesse no que você está dizendo”. Faz muito tempo não vejo alguém se sentar assim. Talvez por isso o livro não faça mais nenhum sucesso: no futuro, só os betazóides terão empatia pelos humanos?

Ontem li o seguinte, da Piti, em um texto sobre as Bienais de São Paulo:

“[…] postular que, se a arte não é eficaz para solucionar os males sociais, ao menos pode servir como testemunha de nossa capacidade de sentir empatia com os outros.”

Ao menos isso: dicionário: '''empatia''': 1. faculdade de compreender emocionalmente (pessoa, objeto); 2. capacidade de se identificar com outra pessoa; entendimento; 3. PSICOLOGIA identificação emocional com o eu de outro. (De em-+gr. páthos, «estado de alma» +-ia).

Duas festas: uma festa de artistas, outra de intelectuais e políticos. Tinha que comentar esse fenômeno que me assusta cada vez mais. Ninguém, absolutamente ninguém, cultiva alguma empatia: só se ouve o “eu, eu, eu”… Chega a ser desconcertante!

O monstro criador já acabou. Arte, bem como produção intelectual, passa a ser ver o outro, percebê-lo e dar-lhe a vez. E a política sempre foi isso, mas há muito assumiu uma forma muito estranha de falar pelo/com o outro, uma espécie de populismo 24/7, até nas relações mais íntimas.

Seria importante definir essas três profissões pela chave da empatia. Na arte, o altermodernismo de Nicolas Bourriaud parece uma tentativa nesse sentido; é assim que leio “3. Travelling as a new way to produce forms”. Mas como os artistas conseguirão viajar em um mundo “eu, eu, eu”?

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2005-07-04

Assisti à mesa-redonda Acervo Espelhado: Histórias da Coleção no Museu de Arte da Pampulha, com a Mabe, a Piti, Marília Andrés e Paulo Schmidt. Cada um discutiu sobre a obra que escolheu (como artista-curador) para a exposição.

artista-curador artista escolhido
Marília Andrés Iole de Freitas
Mabe Frederico Morais
Piti Amadeu Lorenzato
Paulo Schmidt Winston Churchill

Marília Andrés ressaltou o papel da exposição Território Vazado, realizada no MAP em 1999, para o desenvolvimento dos trabalhos site-especific de Iole. Sua escolha, ao que parece, foi bastante influenciada pela linha curatorial do Museu nestes últimos anos.

A Mabe, justificando sua escolha pelo audio-visual de Frederico Morais sobre os trabalhos de Artur Barrio, descreveu como se propôs a fazer uma espécie de negociação forçada com o crítico-artista, constrangendo-o a se posicionar e a participar da atualização (do virtual para o real) de sua obra. No relato sobre essa negociação, lançou diversas questões sobre a coleção do Museu, sobre a ausência de um catálogo ilustrado, sobre o desconhecimento do acervo por parte dos próprios artistas, sobre a conservação…

A Piti levantou questões muito relevantes sobre os projetos político-culturais por trás do modernismo brasileiro (incluindo ai o Conjunto Arquitetônico da Pampulha) e justificou sua escolha por Lorenzato como contraponto que nos permite “lembrar das cidades ocultas que sobrevivem e perduram nas bordas de nossa orgulhosa modernidade”.

Sobre Paulo Schmidt falo mais tarde, se der.

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2005-04-18

Texto discutido “Sex-appeal dello inorganico” de Mário Perniola, apresentado por Piti e Sávio Reale.

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2005-03-18

Reunião do Grupo de Pesquisa da Piti com a Mabe. Tratou-se de uma apresentação rápida das pesquisas desenvolvidas por cada um dos membros.

MuseuMuseu GrupoPesquisa

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2005-01-25

Me reuni hoje com a Profª Mabe e com a Luísa Rabello para me familiarizar melhor com o MuseuMuseu. É um projeto amplo e meu papel será principalmente ajudar como articulista num levantamento de artistas que abordam o tema para publicação em CD-Rom.

O projeto integra o grupo de pesquisa “Arquivos Migratórios” coordenado pela Profa. Piti e se encaixa na linha de pesquisa “Estratégias da memória na arte contemporânea”.

Me emprestaram o livro McShine, Kynaston. The museum as muse: artists reflect. New York: The Museum of Modern Art, 1999 – um catálogo muito completo de exposição de mesmo nome. Numa folheada, percebi ao menos três tipos de abordagem:

  1. incorporação de procedimentos típicos de museu;
  2. a utilização do museu como espaço de intervenção (ou como tema);
  3. a crítica utilizando, principalmente, recursos de falsificação.

Revisarei essa tipologia após uma leitura mais detida.

Como exemplo, estou lendo artigos da Luísa sobre Duchamp, Fluxus, Marcel Broodthaers, Claes Oldenburg e Mark Dion. Enxutos e gostosos de ler!

Como ponto de partida, pesquisarei o casal Hilla e Bernd Becher além de escrever um artigo para o Paisana sobre paisagens não-integradas e periféricas, principalmente relacionando o ponto de vista dos viajantes e exploradores (duplo sentido) até o século XIX com o atual: de exótico e bucólico a perigoso e terrorista…

Como trabalho autoral, estive pensando em melhorar a ideia que tive há alguns meses de fazer “pinturas para catálogos”.

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2005-01-19

Hoje recebi um telefonema da Profª Mabe sobre uma bolsa de iniciação científica. O projeto está relacionado a arquivos e museus, algo que me interessava muito na época em que estudei História. Espero que a oportunidade não fuja. Fui indicado pela Profª Piti. Estou lisonjeado!

MuseuMuseu

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