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Diário

2010-05-18 Documentário Grupo Poro

Saiu em fevereiro, mas só assisti agora; que pecado. O importante é que vale a pena ver o documentário sobre o Grupo Poro, não só pela qualidade e relevância das intervenções urbanas da Brígida e do Marcelo, mas também porque é um vídeo muito bem cuidado e informativo.

Interessante o “colofão” (não sei como se chama isso em vídeo):

[…] no intuito de incentivar jovens participantes de grupos e movimentos organizados a expressarem suas ideias no espaço público.

Sem dúvida é um incentivo. A meu ver, o trabalho do Poro se diferencia primeiro pelo lirismo no engajamento – “O que fazer diante de um Ronaldinho que ocupa um prédio de 30 andares?”, pergunta a Brígida, que responde “[…] na contra-mão: não é o prédio de 30 andares, mas a intervenção de 30 centímetros…”. Agora acrescento que se diferencia também pela qualidade do registro.

Isso me parece de suma importância: cada vez mais acredito que a arte deve aceitar diminuir-se para ser engajada. Entretanto, esse “diminuir-se” não é uma questão de escala, trata-se de um “caber no bolso”.

O lirismo dos 30 cm soma-se então à diminuição para a difusão.

Parabéns Poro!

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2008-04-15

O panóptico de Jeremy Bentham
O panóptico de Jeremy Bentham

Buscando imagens e referências sobre o panóptico que Foucault descreve em Vigiar e Punir, encontrei sites muito interessantes e que têm tudo a ver com as discussões sobre arte e política a partir de Hal Foster no GrupoPesquisa.

Na última reunião, esboçamos uma discussão sobre a internet. Ela é um lugar de liberdade? Se não, é um lugar de resistência? Se é um “terceiro lugar” etc.

Na minha opinião, ela já foi disciplinada através de formidáveis mecanismos de controle autogeridos e que usam algorítimos de pertinência “democráticos”. A idéia do link como medida de qualidade, a teoria da difusão viral e outros modelos visuais – que pareciam expressão de uma liberdade impossível de se experimentar no mundo atual massacrado pela indústria cultural – demonstraram-se totalmente inefetivos. Os monopólios Google, Youtube e (até!) Sourceforge são verdadeiros panópticos funcionando pela via do masoquismo, dentro da “reprodução simples do espírito”, como diriam Adorno e Horkheimer, na Dialética do Esclarecimento:

O amor funesto do povo pelo mal que a ele se faz, chega a se antecipar à astúcia das instâncias de controle.

No centro desses novos panópticos há um espelho! O mecanismo adquiriu toda a força de mecanismo: o estafe do Youtube, por exemplo, só precisa existir para conter o entusiasmo dos fãs – que, como é bem conhecido, pode ser destrutivo.

Os sites que encontrei são o tipo de descoberta que ainda me faz acreditar na internet como espaço de resistência:

  • Atitude Suspeita: divulga ações de repúdio à vigilância eletrônica nos grandes centros urbanos.
  • Esqueleto Coletivo: intervenções urbanas fortemente politizadas.
  • The Necessity for Ruins: fotografias, relatos e notícias sobre demolições, numa espécie de arqueologia urbana difícil de definir em termos de engajamento, mas muito bonita.

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