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Diário

2008-04-10

Reunião do GrupoPesquisa. Discutimos o “Por um conceito do político na arte contemporânea” (In: Recodificação) de Hal Foster.

Fabíola apresentou um intertexto comparando Haacke e Sierra, diferenciando-os, mas também aproximando-os em suas singulares articulações de arte e política. Achei muito interessante a proposta de aproximar Sierra e Haacke, colocando aquele também dentro da crítica institucional, à medida que seu trabalho – como escreveu Fabíola – “assinala a cumplicidade da audiência”.

Bom. Para mim, isso gera imediato questionamento sobre qual seria o lugar de Santiago Sierra em relação às posições pós-vanguardistas elencadas por Foster: resistência, por um lado, e “fim do jogo”, por outro.

Reproduzo abaixo minha resposta à continuação dessa discussão por email:

> Fabiola Tasca escreveu:
> Posição 1 - Sierra atuaria a partir da perspectiva que entende o 
> cultural como um lugar de contestação na e pelas instituições culturais 
> e, nesse sentido, delinearia uma estratégia de resistência (entendida 
> nesse sentido, sua posição seria algo similar à de Haacke).

Nesse sentido [no da crítica institucional], Sierra estaria dentro da posição 1, como enfant terrible da resistência.

> Posição 2 - Sierra atuaria a partir da perspectiva do "Fim do jogo", de 
> Baudrillard, na qual a resistência passa a ser vista como pouco 
> eficiente, na qual a própria resistência é entendida como funcionando 
> enquanto cúmplice da ação do capital.

Mas sua crueza é tal que muitas vezes o sinto apenas como um enfant gâté do sistema, disfarçado de terrible. A questão aí, acho, é se ele representa ou apresenta, com especial atenção à possibilidade de apenas apresentar a exploração. Ora, isso se faz todo dia fora da arte e ninguém está nem aí.

Aquela “cumplicidade da audiência”, então, seria só isso: cumplicidade pervertida. Não geraria qualquer “esquizo” (fenda, divisão etc.), que é o pressuposto para enquadrar sua ação de “produzir fatos reais” na posição 1.

> que precisamos de mais posições aqui, não? Ou então, fico com o 
> palpite de que Sierra faz uma manobra interessante: pra jogar na posição 
> 1, ele lança mão de um certo "disfarce" de posição 2, e é isso o que me 
> parece tornar sua estratégia não só instigante, mas capaz de interpelar 
> produtivamente o campo de problemas delineado por Foster neste texto - 

Acredito que não exista possibilidade de posicionamento definitivo. E isso é o que mais me instiga no trabalho do Sierra: ele cria um paradoxo insolúvel. É impossível determinar se ele é mocinho ou bandido e, ao mesmo tempo, também é difícil negociar as duas possibilidades pela via da “esquizofrenia teórica pós-modernista”.

Acho que podemos pensar o trabalho (de maneira aproximativa) segundo a noção benjaminiana de “imagem crítica”, que surge de uma dialética sem síntese possível ou desejável. Nesse sentido, acredito que nosso papel seja aprofundar as duas possibilidades, problematizá-las, mas sem tentar solucioná-las.

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