2008-03-08
http://www.ideafixa.com – É bem legal. Surpreende como uma revista digital cujo paradigma é o impresso, e que quase só tem imagens, prende o interesse da primeira à última página. Uma coisa a se pensar é que isso seria quase impossível no mercado impresso: os custos de produção interfeririam na qualidade das reproduções e o texto logo ganharia espaço. Talvez o meio digital seja mesmo lugar de imagens, daí até mesmo o blog da revista ser tão lacônico.
Conferi principalmente o nº 10, Medo e Delírio.
Muita coisa eu achei boba e próxima demais a uma forma de fazer imagens que já está cansando. Tem gente falando em “barroquismo pop contemporâneo” para descrever isso que, acho, ficou mais comum depois dos layers do Photoshop.
Mas tem coisas interessantes como o ensaio de Ananke Asseff. Segundo ela, são cidadãos que adotam novas estratégias de proteção, submetendo-se à fabricação do medo, “um dos meios de controle por excelência do capitalismo” [1]. Mas para mim o ensaio explicita uma forma de pensar bem típica das classes médias e altas latino-americanas: “– Afaste-se, você não é como eu! Eu sou Primeiro Mundo e estou armado!” (Penso em algumas teorias de “males de origem” da América Latina.)
Outro que gostei foi o de Viola ‘n’ Attila, que me fez pensar na pergunta: existe uma estética gay? Me pareceu gay, mas nem sei se alguém ali (artista, modelo ou espectador) é. A solidão é o “medo e delírio” do ensaio. E isso é uma coisa partilhada por todos os sexos. Além disso, a série panorâmica foi composta com maestria, resultando não só em uma narrativa, mas também em uma bela imagem.
A “pintura” de Orlando Azevedo me lembrou Francis Bacon e me impressionou por não ser pintura.
Me chamou atenção a aquarela de Justin Longoz simplesmente porque é um belo desenho. A idéia “drug paintings” [2], entretanto, não me agrada como série: gosto das imagens isoladas e sem os títulos.
Mas o que importa é que a revista no todo é muito boa. Vale a pena conferir.
2006-07-04
Revisão de Benjamin sobre reprodução (agora digital): http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/doassis/benjamin_digital.
Será mesmo “possível defender que a reprodução eletrônica está muito mais para a clonagem do que para a copiagem”?
Verificar referências do texto, principalmente:
Margot Lovejoy. Digital Currents - art in the electronic age. London, Routledge, 2004.
→ Arte Pesquisa Pintura para Catálogos Benjamin Digital PinturaCatálogos