2006-05-31
Reunião do GrupoPesquisa. Gláucio apresentou um rascunho do primeiro capítulo de sua dissertação. Discutiu principalmente My colection, exposta recentemente na Cemig, uma série de pinturas, fotografias e objetos realizados segundo o estilo de artistas famosos, com títulos:
- Rivane e eu;
- Vik e eu;
- Bispo e eu;
- Leonilson e eu;
- Beatriz e eu;
- Cindy e eu;
- Andy e eu;
- Pollock e eu.
Podem ser vistos em http://www.eba.ufmg.br/grupo/glaucio.htm.
Interessante a discussão sobre apropriação (reacionária x progressista) a partir de CRIMP, Douglas. Apropriando-se da Apropriação. In: Sobre as Ruínas do Museu. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
Cabe ressaltar que a apropriação do Gláucio se dá no âmbito do estilo (e das técnicas conseqüentes); ele entretanto fala às vezes de reprodução. Interessante é que nos trabalhos fotográficos “Cindy e eu” e “Andy e eu”, apesar da técnica reprodutível, o que ocorre são recriações completas.
→ Arte Grupo de Pesquisa Pesquisa Coleção Gláucio Caldeira CEMIG
2005-09-04
Nas tatogartas a memória da coleção faz parte da própria coleção. Isso radicaliza a idéia de Benjamin (1994) de que a paixão de colecionar mantém confinado o caos das lembranças. No caso tratado por ele (a biblioteca particular), os livros aprisionavam as lembranças de sua aquisição – que pode ser obsessiva e até criminosa --, constituindo uma desordem (porque permeada pela falibilidade imanente da memória lidando com acaso e destino) que aparenta ordem apenas pelo hábito.
Nas tatogartas, entretanto, tal memória da aquisição, bem como dos procedimentos colecionistas, está fisicamente acessível na forma de larvas (lv. no inventário) ou pupas (pp). Essa intussuscepção, o registro da coleção na coleção e esta como objeto de registro, parece impedir qualquer ordem senão a habitual.
Ao percorrer a coleção de maneira metódica buscando ordená-la, acabam surgindo dois tipos de ordenação concorrentes (dentro da mesma ordem): a dos registros e a dos espécimes. Sendo alguns espécimes ambos, ocorre um desvio que contradita a própria idéia de ordenar: um mesmo espécime apareceria duplicado em pontos distintos da ordem sem que isso signifique um erro. O registro da tatogarta é a mesma tatogarta registrada, um duplo indivisível que ocupa obrigatoriamente duas posições. (É necessário destacar que criar duas ordens sem duplicatas significaria retirar da coleção sua característica invaginada).
Um cenário semelhante seria um arquivo público. Responsável pela guarda dos documentos produzidos pelo serviço público sem distinção, sendo ele mesmo um serviço público, seria responsável também pelos próprios documentos que tratam e descrevem os documentos guardados. Um inventário completo – note: também um documento a ser guardado – deveria conter em si referência e descrição de si.
O que se cria, entretanto, não é circularidade ou recursão, mas uma fita de Moebius na qual se percorre o mesmo elemento indefinidamente mas em momentos diferentes da mesma trajetória.
BENJAMIN, Walter. Desempacotando minha biblioteca. In: ___. Rua de mão única. 4ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Obras escolhidas, v.2). p. 227-35.
→ Arte Pesquisa Tatogartas Benjamin Coleção TatogartasCachorriranas
2005-08-05
Resumo para Semana de Iniciação Científica
Criação de coleções, de inventários e de "tatogartas": estratégia de abordagem reflexiva das questões que envolvem a apropriação artística das práticas museológica, arquivística e colecionista
Hélio Alvarenga Nunes (EBA, bolsista PROBIC); Profª Drª Mabe Machado Bethônico (EBA, orientadora)
A apropriação artística de métodos, conceitos e obsessões características das práticas museológica, arquivística e colecionista, a subversão destes, da forma de organizar, de ordenar e de classificar, e a intervenção nas instituições guardiãs da memória são o objeto do estudo e também a principal ferramenta desta pesquisa que integra o projeto coletivo “Museu Museu”. Visando contribuir na criação de objeto ficcional para exploração das definições e procedimentos relacionados a museus, o foco principal da pesquisa tem sido a criação de coleções e inventários que, de maneira reflexiva, abordem as questões ontológicas e éticas envolvidas na própria criação proposta. São exemplos dessas (meta)coleções: “Preletras”, um livro de artista criado a partir de letras encontradas em um quintal, que constitui mais um inventário organizado alfabeticamente que um alfabeto; “Dicionário do Museu Museu”, trabalho coletivo que propõe definir os conceitos mais comumente discutidos pelo grupo de pesquisa em duas vias – através de entrevistas informais com pessoas variadas e através de pesquisa teórico-histórica de base bibliográfica --; a seleção, aquisição e classificação de imagens com gestos e ações de mineiros medievais para o projeto, também coletivo, “Casa Minerária”; e o processo individual de criação da coleção “Tatogartas” – palavra sem significado transformada em coisa colecionável mas, hipoteticamente, inclassificável. Além da coleção ou inventário em si, também é abordada a memória das ações necessárias a sua constituição. Todos os procedimentos vêm sendo permeados por discussões teóricas, por escrita de verbetes (o “Dicionário …” em si), de artigos e de resenhas (alguns já publicados no site do Museu Museu http://www.ufmg.br/museumuseu), bem como pela elaboração de mais um inventário coletivo: CD (do qual já existe um protótipo) com banco de imagens e resenhas sobre artistas que abordaram o presente campo de estudo.
→ Arte Pesquisa Iniciação Científica MuseuMuseu Tatogartas Taxonomia Coleção MuseuMuseu TatogartasCachorriranas
2005-07-09
Reunião com a Mabe para decidir sobre a melhor forma de apresentar o CD da Luísa. Resolvemos criar primeiro uma apresentação – que é urgente – para depois pensarmos melhor o CD.
Discutimos também o vídeo Descobrindo tatogartas. A Mabe propôs que eu fizesse um novo vídeo, dessa vez mostrando as tatogartas DOMINANDO! uhhh
Mostrei alguns trabalhos anteriores e ela ficou especialmente interessada no Poplife. Me lembrei do antigo autopensar que deixei de lado: reunir tatogartas e o dicionário seria interessante.
→ Arte Pesquisa Tatogartas MuseuMuseu Coleção Arte Digital Mabe Bethônico Luísa Rabelo MuseuMuseu TatogartasCachorriranas
2005-07-07
Idéias para tatogartas:
- carimbo de tatogarta com linha escrita: “Readymade ajudado (from) tatogartas”
- silk em fichas armazenadas no meu fichário
2005-07-06
Desde ontem venho trabalhando em uma nova versão do vídeo "Descobrindo tatogartas"… É um (falso) documentário sobre como, ao descobrir tatogartas, também somos descobertos e dominados por elas. Está cada vez mais claro que as tatogartas são opressoras, além de repetitivas. Não sei se a repetição gera a opressão; fato é que procuro transmitir isso reduzindo gradativamente o espaço e a capacidade de perceber o real: aumentando a borda e borrando a imagem de preto.
Wanda havia me alertado sobre exagerar os efeitos, descuidando do conceito… nessa versão acho que o efeito corrobora mais a idéia que na anterior.
Para agilizar a elaboração do filme a partir da seqüência de imagens, usei o seguinte script:
# !/bin/sh # geometria g="320x240" # tempo d=10
# charcoal
c=1
# borda
b=10
# tomada especial 0
echo "Criando t000..."
convert -geometry $g -delay 100 imgs/000.tif v000.mpg
ffmpeg -i v000.mpg -s $g t000.mpg
rm v000.mpg
echo " pronto."
# tomada especial 1
echo "Criando t001..."
convert -geometry $g -delay $d imgs/*.tif v001.mpg
ffmpeg -i v001.mpg -s $g t001.mpg
rm v001.mpg
echo " pronto."
# tomadas 2 a 14
for (( x=2; x<15; x++ ))
do
f=`printf %03d $x`
echo "Criando f$f..."
z=$(( $x+1 ))
convert -border $(( z*b )) \
-bordercolor black \
-geometry $g \
-delay $(( x+d )) \
imgs/*.tif v$f.mpg
ffmpeg -i v$f.mpg -s $g t$f.mpg
rm v$f.mpg
echo " pronto."
done
# reune tudo
cat t*.mpg > previsao.mpg
cat creditos.mpg >> previsao.mpgEm seguida, usando o lives apliquei o efeito charcoal gradativamente, superpondo o resultado, então, ao filme inalterado.
→ Arte Pesquisa Tatogartas Coleção Arte Digital TatogartasCachorriranas
2005-06-30
Trabalhei a semana inteira e finalmente publiquei a primeira versão do vídeo Descobrindo Tatogartas.
→ Arte Pesquisa Tatogartas Coleção Arte Digital TatogartasCachorriranas
2005-06-21
Criação do blog http://tatogartas.blogspot.com/, onde publicarei diariamente as descobertas sobre as tatogartas.
2005-05-03
Início do projeto TatogartasCachorriranas.
→ Arte Iniciação Científica MuseuMuseu Tatogartas Coleção MuseuMuseu
2005-04-11
Reunião do Grupo de Pesquisa
Discutimos BenjaminColeção procurando definir a noção de colecionar. Indagações e afirmações de destaque:
O quê caracterizaria a coleção?
- intencionalidade
- Uma coleção se caracterizaria como ato consciente do colecionador? Isso reafirmaria o agente como o portador de sentido para o ato de colecionar, mas excluiria algumas manifestações interessantes, apesar de inconscientes, como o homem que construiu sua casa usando “coleções” de cacos.
- memória
- O fato de o objeto encerrar memórias, o fato de servir como “cenário”, é característica essencial para que pertença à coleção?
- ausência do valor utilitário
- O deslocamento do objeto para um outro agrupamento no qual seu valor de uso desaparece é essencial para sua caracterização como de coleção? A contrapartida invalida a idéia: se os objetos forem utilizados (se os livros forem lidos), deixariam de pertencer à coleção – ao menos momentaneamente?
Além dessas características, a renovação e as formas de aquisição; muito relacionadas a uma excitação pueril…
Benjamin já caracterizava o colecionismo como ex officio: as criações artísticas contemporâneas que assumem a forma de coleções poderiam ser consideradas, elas próprias, formas de renovação? Ou o sentido aqui é outro?
→ Arte Pesquisa Grupo de Pesquisa Benjamin Coleção GrupoPesquisa