Diário de Bordo Mudanças Recentes www.dedalu.art.brTagsRSS RSS

Diário

2009-05-19

Sarah Bernhardt: Quebra-Cabeças em Dez Cartões Postais Retratando Sarah em Seus Diferentes Papéis
Quebra-Cabeças em Dez Cartões Postais Retratando Sarah em Seus Diferentes Papéis

Essa é para os fãs de Proust como eu. Ao ver esse cartão, lembrei imediatamente da tenra infância do personagem de Em busca do tempo perdido, de sua excitação ante o desconhecido e ansiado mundo do Téâtre-Français, e de seu “impotente e doloroso esforço para imaginar” a vida de atrizes como Sarah Benhardt, que era a primeira em sua classificação por ordem de talentos.

Encontrei esse maravilhoso quebra-cabeças em meio a milhares de outras preciosidades na Biblioteca Digital Mundial da ONU. São 151 livros, 37 diários, 124 manuscritos, 306 mapas, 11 filmes, 536 impressos e fotografias, e 5 registros fonográficos de todo o mundo, desde o ano 8000 a.C. até hoje (quer dizer, até o hoje dos arquivos).

Tenho trabalhado com o conceito malruciano de Museu Imaginário e me interessado muito pela relação que Malraux chama de ressurreição que, depois do chamado “pós-modernismo”, em outros patamares, parece ser um dos aspectos definidores da contemporaneidade que retoma o modernismo como uma espécie de classicismo sem modelo. No jargão que venho construindo, chamo essa forma ressurreição contemporânea de “acesso aleatório ao arquivo da arte”, uma metáfora computacional que consiste em ler diretamente um endereço de memória, cuja contraposição é o “acesso sequencial”, que parte ou da origem ou do fim até o ponto designado. Nosso arquivo não é o do computador, mas a metáfora parece muito adequada: o acesso sequencial seria o tipicamente histórico e localizado, enquanto o nosso seria anistórico e mundializado. Mas no nosso caso, a aleatoriedade assume um significado especial: com a ampliação universal do arquivo da arte ao ponto de um hiperarquivo real (ou realizável), ao ponto de um arquivo onde o humanamente possível se traduz tanto hipermnésia quanto hiperamnésia, não haveria outra forma de acesso senão o fortuito.

Encontrei a foto de Sarah Benhardt depois de passar horas olhando manuscritos e estampas chinesas. Ela me fez começar a escrever. Fui procurar mais informações sobre a iniciativa da ONU e encontrei menções a uma iniciativa semelhante, a Europeana. Entrei nela e, para trabalhar um pouco, procurei por Malraux. Por algum motivo, encontrei, entre fotos dele essa imagem que me pareceu mais adequada para ilustrar essa nova relação com o arquivo que parece muito a de um dândi com as calçadas do Téâtre:

Place du Théâtre français
Place du Théâtre français

Alguns outros links de interesse: Web Gallery of Art e o brasileiro Domínio Público.

Adicionar Comentário

2005-06-20

Foi apresentada versão preliminar do site “O Grupo” pelo Alexis. Ele pediu um currículo resumido e um abstract do projeto em andamento.

Discutimos parte do “Fantasia da biblioteca” de Michel Foucault.

GrupoPesquisa

Adicionar Comentário