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Diário

2006-07-04

Revisão de Benjamin sobre reprodução (agora digital): http://netart.incubadora.fapesp.br/portal/Members/doassis/benjamin_digital.

Será mesmo “possível defender que a reprodução eletrônica está muito mais para a clonagem do que para a copiagem”?

Verificar referências do texto, principalmente:

Margot Lovejoy. Digital Currents - art in the electronic age. London, Routledge, 2004.

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2005-09-04

Nas tatogartas a memória da coleção faz parte da própria coleção. Isso radicaliza a idéia de Benjamin (1994) de que a paixão de colecionar mantém confinado o caos das lembranças. No caso tratado por ele (a biblioteca particular), os livros aprisionavam as lembranças de sua aquisição – que pode ser obsessiva e até criminosa --, constituindo uma desordem (porque permeada pela falibilidade imanente da memória lidando com acaso e destino) que aparenta ordem apenas pelo hábito.

Nas tatogartas, entretanto, tal memória da aquisição, bem como dos procedimentos colecionistas, está fisicamente acessível na forma de larvas (lv. no inventário) ou pupas (pp). Essa intussuscepção, o registro da coleção na coleção e esta como objeto de registro, parece impedir qualquer ordem senão a habitual.

Ao percorrer a coleção de maneira metódica buscando ordená-la, acabam surgindo dois tipos de ordenação concorrentes (dentro da mesma ordem): a dos registros e a dos espécimes. Sendo alguns espécimes ambos, ocorre um desvio que contradita a própria idéia de ordenar: um mesmo espécime apareceria duplicado em pontos distintos da ordem sem que isso signifique um erro. O registro da tatogarta é a mesma tatogarta registrada, um duplo indivisível que ocupa obrigatoriamente duas posições. (É necessário destacar que criar duas ordens sem duplicatas significaria retirar da coleção sua característica invaginada).

Um cenário semelhante seria um arquivo público. Responsável pela guarda dos documentos produzidos pelo serviço público sem distinção, sendo ele mesmo um serviço público, seria responsável também pelos próprios documentos que tratam e descrevem os documentos guardados. Um inventário completo – note: também um documento a ser guardado – deveria conter em si referência e descrição de si.

O que se cria, entretanto, não é circularidade ou recursão, mas uma fita de Moebius na qual se percorre o mesmo elemento indefinidamente mas em momentos diferentes da mesma trajetória.

BENJAMIN, Walter. Desempacotando minha biblioteca. In: ___. Rua de mão única. 4ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. (Obras escolhidas, v.2). p. 227-35.

TatogartasCachorriranas

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2005-04-11

Reunião do Grupo de Pesquisa

Discutimos BenjaminColeção procurando definir a noção de colecionar. Indagações e afirmações de destaque:

O quê caracterizaria a coleção?

intencionalidade
Uma coleção se caracterizaria como ato consciente do colecionador? Isso reafirmaria o agente como o portador de sentido para o ato de colecionar, mas excluiria algumas manifestações interessantes, apesar de inconscientes, como o homem que construiu sua casa usando “coleções” de cacos.
memória
O fato de o objeto encerrar memórias, o fato de servir como “cenário”, é característica essencial para que pertença à coleção?
ausência do valor utilitário
O deslocamento do objeto para um outro agrupamento no qual seu valor de uso desaparece é essencial para sua caracterização como de coleção? A contrapartida invalida a idéia: se os objetos forem utilizados (se os livros forem lidos), deixariam de pertencer à coleção – ao menos momentaneamente?

Além dessas características, a renovação e as formas de aquisição; muito relacionadas a uma excitação pueril…

Benjamin já caracterizava o colecionismo como ex officio: as criações artísticas contemporâneas que assumem a forma de coleções poderiam ser consideradas, elas próprias, formas de renovação? Ou o sentido aqui é outro?

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