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Diário

2008-10-23

Meu candidato no segundo turno em BH.
Meu candidato no segundo turno em BH.

Depois de tantas campanhas apoiando candidatos do PT, acabei ganhando de um amigo a estrelhinha vermelha. Nunca a usei e não pretendia usá-la, guardei-a com carinho.

Depois de anos, pela primeira vez não votei no PT no primeiro turno das eleições municipais… Depois de anos, pela primeira vez não votarei no candidato da esquerda de Belo Horizonte. O motivo é simples: NÃO HÁ CANDIDATO DA ESQUERDA DE BELO HORIZONTE!

Não existe “menos pior” nessa eleição. Não sei como escolher entre um projeto nacional de direita e um boy aventureiro. Por um lado, não vou votar no candidato do Aécio, para fortalecê-lo como possível candidato do Lula. Por outro, a gente sabe no que boy aventureiro resulta…

Continuarei guardando a estrelhinha vermelha, mas agora ela terá uma marca: decepei-lhe o alfinete e a possibilidade, para fazer o botão de meu candidato: NINGUÉM.

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2008-09-09

Publiquei aqui no site meu artigo sobre o contexto artístico de Belo Horizonte, publicado no jornal Papel das Artes, nº8.

Não é, de longe, um artigo polêmico. Nem sei se alguém ficou contrariado. Mas se ficou, foi porque explicitei minhas preferências; principalmente pela Bolsa Pampulha – que, dizem, está sob “ataque”. Como não tenho certeza de tal ataque, optei pelo elogio rasgado.

O engraçado foi que o lançamento do artigo coincidiu com algo que identifico como um retrocesso dentro do MAP. A forma como a exposição da Varejão foi montada parece um retorno a anos atrás, com aqueles tapumes brigando contra a arquitetura. E o melhor foi o texto do panfleto distribuído na ocasião: “[…] o grid das telas de Adriana Varejão, tomado pela imensa ortogonalidade das linhas, dissolve-se nos reais elementos arquitetônicos do antigo cassino […]”.

Parece até o Galvão Bueno narrando futebol: ele vê um jogo, a gente outro. O Ronaldinho perde a bola e ele “QUAAASEEE que o Ronaldo faz um gol! Quaaaseee! Que pena: está tão bem…”: “QUAAASEEE que a pintura da Varejão se dissolve na arquitetura! Quaaaseee! Que pena: não fossem os tapumes… a gente veria isso acontecer.”

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2008-08-02

Escrevi um artigo para o jornal Papel das Artes do Rio, sobre o panorama artístico em BH. Um pouco ufanista, talvez, mas refletindo o boom das artes plásticas em Minas Gerais nos últimos anos, graças à Bolsa Pampulha, ao sistema de concorrência pública do Palácio das Artes e às iniciativas do Museu Mineiro, como a s/ Mesa de queijos. E, claro, falei um pouco sobre Inhotim, que, afinal, comprovou ser mais que uma extravagância.

O título do artigo deve ser “Visibilidade na periferia: Belo Horizonte”. O jornal será lançado aqui em BH dia 30 próximo, na Guignard e no Pampulha. Quando tiver mais detalhes, aviso.

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2008-03-27

Reunião do GrupoPesquisa. Este semestre, vamos discutir textos essenciais do Hal Foster, a começar do Artista Como Etnógrafo.

Fotografia de reunião com a FMC no MAP, em 2006
Fotografia de reunião com a FMC no MAP, em 2006

Aproveitamos para conversar sobre as novidades em Inhotim – quem viu gostou muito dos novos pavilhões, um de Doris Salcedo, com a obra Neither, e outro de Adriana Varejão. E também sobre o panorama das artes em BH. Comentamos a decisão da curadoria do MAP de obrigar os participantes da Bolsa Pampulha a exporem fora do Museu (na cidade), e aventou-se a possibilidade de isso ser – apesar das aparências – um retrocesso na proposta da Bolsa: não estaria a “velha cepa” loteando novamente o espaço expositivo do Museu, empurrando para fora do “lugar nobre” os jovens artistas? Há, parece, atas da Fundação Municipal de Cultura que comprovam essa suspeita. Hei de procurá-las ainda hoje.

Essas questões me interessam muito. Desde o artigo que escrevi para o MAPCríticaContexto, ando pensando se não houve mesmo uma mudança significativa em Belo Horizonte. Iniciei a pesquisa PinturaCatálogos com o pressuposto de que BH ainda era muito carente de instituições sólidas, apesar das experiências importantíssimas de Inhotim, da Bolsa Pampulha e do Palácio. Talvez tenha sido exagero meu ou realmente uma mudança radical no panorama nesses últimos dois anos.

Esta semana, o jornal Pampulha (pequeno semanário da família Medioli) foi inteiramente dedicado ao recente boom aqui. Uma das matérias tem como título “BH se firma como pólo produtor e difusor de arte contemporânea com exposições significativas e sedutoras”. Cheguei a ser procurado por uma das jornalistas, mas acabei não tendo tempo para contribuir. Na ocasião, me chateou um pouco a (insistente) inclusão da mostra de Gringo Cardia que, apesar de muito significativa, não deve (a meu ver) ser confundida com arte contemporânea. Para mim, trata-se de um importante e prolífico designer, que merece reconhecimento como tal e não como artista. Fora isso, a iniciativa do jornal é muito bem vinda.

Então talvez tenha mesmo ocorrido uma mudança em BH. Dois anos atrás, por exemplo, encarava o Inhotim com muitas reticências. Acreditava ser iniciativa descolada da vida artística belorizontina, algo afastado da cidade física e filosoficamente. Mas tive notícia de que tem sido notável o salto de qualidade dos alunos da EBA que trabalham lá como monitores. Isso muda tudo: a formação é (para mim) a principal tarefa dos museus, notadamente os de arte contemporânea.

Parece ter se estabelecido sim uma ponte entre Inhotim e BH; o que talvez seja fruto da contratação do curador Rodrigo Moura em 2006 – a quem cabe nossos parabéns.

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