2009-07-09 Retroprojetor
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- Uma reutilização do transfer para o trabalho anterior, com canetinhas hidrográficas, nanquim e até cola (que dá uma sombra transparente bonita). Quando o trabalho anterior se definiu, agreguei a “rede presa em estacas”, isto é, galhos de mirra e gaze. Tenho esse retroprojetor há muito pouco tempo e não tinha experimentado nada nele – tenho algum preconceito a “facilidades”. É interessante as diversas camadas que o trabalho adquire:
- a projeção em si;
- o trabalho no leito do projetor iluminado;
- as duas últimas camadas simultaneamente;
- a presença do aparelho ligado:
- sua estrutura,
- as imagens formadas nas lentes,
- a possibilidade de ofuscar,
- o calor
- e o som;
- a presença do aparelho desligado, sua potência…
2009-07-08 Embate
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- Estou lutando com essa folhinha de papel desde o dia 2. Um quadro de Cícero Dias, Cena vegetal (1944), onde só vejo em uma cabeça decepada me forneceu a forma original (transferida usando um filme de transparência e nanquim – fica a dica: usar como se fosse letraset). Algo me fez lembrar a maneira sacana como a Discovery etc. reavalia os povos pré-colombianos. Uma cabeça decepada amparada por uma rede presa em estacas de madeira e a multiplicação dessa cabeça nas paredes de um templo, cumprindo diversos papéis – não deixa de ser uma “cena vegetal”:
2009-07-06 Aquarelas
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- Primeiro teste com o papel que a Piti me deu. Uma composição an passant, equilíbrio a partir de um ponto de sujeira. Papel velin salto: absorve a água muito rapidamente; é necessário carregar mais na cor; quase não deforma!
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- Outro teste com o velin salto. A textura do papel fica bem mais visível se usamos o lado menos texturizado… engraçado.
2009-07-02 Inverossímil
“[…] o que pode ser representado é apenas o que se pode ver numa superfície marcada e não o que se pode ver cara a cara” (Richard Wollheim, A pintura como arte, p. 72, DiárioB:44).
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- Um pequeno buquê de sempre-vivas estava se despedaçando num armário; por isso, resolvi pendurá-lo de cabeça para baixo, enfiado em uma lata de aguarrás. É uma mimese inverossímil:
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- De novo, algo real, mas inverossímil. Demonstração de uma das contradições entre linha e mancha: a certa distância não há linhas (na tela do computador, há poucas), só uma mancha branca com uma forma interessante destacada pelo “fundo” azul de pinceladas aparentes:
Anotei apenas “Cícero Dias”. Ouvi Bizet e Mozart.
2009-07-01 No ateliê
Há muito tempo não uso meu “diário de bordo” como tal; principalmente porque não tenho usado o ateliê com muita assiduidade, estando muito ocupado com leituras e escritas. Bom… Um probleminha de saúde me fez repensar algumas prioridades e, ao menos enquanto me recupero, estou me divertindo.
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- Uma composição horizontal de flores vermelhas que não tinha dado certo reaproveitada (a contraforma, principalmente) como cachorrirana. É também um pinto com bolas e próstata ou apenas uma cachorrirana comendo flores:
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- Um homem numa caixa? Vi essa imagem certa vez. “Modelo” sem modelo vivo. Lembrei da Louise Bourgeois e seu falo; desenhei os peitos, mas apaguei quase todos:
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- Um olho que salta: “esotropia intermitente a 6 m ângulo pequeno”, diz o prontuário:
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- Só uma recomposição. Vou guardar dentro do Munch:
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- Cachorrirana vendo TV. Lembrei do Fofão. Esse azul é o intelectual blue hehehe. O sofá é uma tatogarta:
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- Ainda cachorrirana vendo TV, mas com tatogarta mais no formato tatogartal:
Anotei no fim do dia: “Quero as mãos do Heitor dos Prazeres!” Estava ouvindo Jazz.









