2009-06-06 A ausência da empatia
Essa postura da Conselheira Deanna Troi da Nave Estelar Enterprise deve estar descrita no livro O corpo fala… Quando liam o livro, se postavam assim, significando “tenho algum interesse no que você está dizendo”. Faz muito tempo não vejo alguém se sentar assim. Talvez por isso o livro não faça mais nenhum sucesso: no futuro, só os betazóides terão empatia pelos humanos?
Ontem li o seguinte, da Piti, em um texto sobre as Bienais de São Paulo:
- “[…] postular que, se a arte não é eficaz para solucionar os males sociais, ao menos pode servir como testemunha de nossa capacidade de sentir empatia com os outros.”
Duas festas: uma festa de artistas, outra de intelectuais e políticos. Tinha que comentar esse fenômeno que me assusta cada vez mais. Ninguém, absolutamente ninguém, cultiva alguma empatia: só se ouve o “eu, eu, eu”… Chega a ser desconcertante!
O monstro criador já acabou. Arte, bem como produção intelectual, passa a ser ver o outro, percebê-lo e dar-lhe a vez. E a política sempre foi isso, mas há muito assumiu uma forma muito estranha de falar pelo/com o outro, uma espécie de populismo 24/7, até nas relações mais íntimas.
Seria importante definir essas três profissões pela chave da empatia. Na arte, o altermodernismo de Nicolas Bourriaud parece uma tentativa nesse sentido; é assim que leio “3. Travelling as a new way to produce forms”. Mas como os artistas conseguirão viajar em um mundo “eu, eu, eu”?
→ Arte Crítica Empatia Piti Nicolas Bourriaud Altermodernismo