> Sou estudante de Comunicação e estou fazendo um trabalho para a disciplina > História da arte. Este inclui o tema das variadas tintas que são usadas nas > obras de arte. Por isso seria de grande utilidade se você me respondesse > dizendo a sua visão do uso de tinta vinílica [s]em eucatex [e] em um > quadro. Agradeço antecipadamente. Priscila Lima
A tinta vinílica (industrial, pvc), por suas características, é mais usada na serigrafia. Os minimalistas, hard edge, os pop etc., parece, a utilizaram bastante “silkando” a tela. Eu nunca usei em quadros e não sei bem seu comportamento com pincel. É pouco utilizada também pelos artistas que conheço. Sei que são ótimas para drippings e para pinturas mais gestuais – pela consistência e pelo tamanho da lata (mais tinta, mais facilidade para grandes gestos).
Por outro lado, já usei o que chamam têmpera vinílica, pigmento (geralmente pó xadrez) misturado em cola pvc comum. É solúvel em água e tem boa resistência após a secagem (daí ser chamada têmpera). A grande diferença em relação às tintas industriais é o controle do artista sobre a mistura. Por isso, é bem mais usada. Além disso, é uma alternativa barata para os que desejam uma tinta a base de água, de secagem rápida, mais encorpada, mais opaca (depende da quantidade de pigmento usado, claro) e com alguma possibilidade de empasto. Usar acrílica, neste caso, demandaria mediuns e tintas de ótima qualidade (o que não é o caso da nacional, muito transparente e brilhante pela falta de pigmentos).
Quanto ao Eucatex, você se refere aos suportes (madeira aglomerada, chapa etc.) ou à tinta pva? Quanto ao suporte, não acho confiável a não ser com um bom isolamento (cola de coelho, tinta acrílica etc.). Na elaboração, como é para uso doméstico ou industrial, não são considerados fatores essenciais para o suporte artístico: a madeira é nova, exalando gases que destroem a pintura, e os materiais usados para aglomerar geralmente são ácidos. Isso sem falar na forma como a madeira se movimenta… etc. Quanto à tinta, valem os comentários que fiz sobre a pvc, com o adendo de que é muito utilizada para fundo da pintura.
Quanto à durabilidade, nenhum desses materiais são tidos como confiáveis, apesar de não apresentarem grandes problemas nos últimos 50 anos. Mas isso não é um grande problema se pensarmos na tendência contemporânea de criar obras efêmeras.
Hoje, na pintura, opto por materiais mais tradicionais: óleo, têmpera ovo e encáustica. Geralmente combinado-os ou com seus afins: pastel oleoso, lápis de cor, lápis de cera etc. São justamente eles que permitem me expressar melhor. Não dou certo com tintas já muito fluidas e transparentes. Gosto de trabalhar com a tela na vertical, sem gotejamentos e escorrimentos indesejados. Além disso, acho mais fácil diluir uma tinta grossa que engrossar uma tinta fina. Outros têm suas preferências.
Vai daí que, a meu ver, a escolha da tinta pelo artista se dá segundo sua necessidade expressiva. O contrário, a tinta influir na expressão, ocorre, mas desde que o resultado seja compatível. A matéria é sumamente importante nas artes plásticas e determina o resultado estético (final) do trabalho; não determina, entretanto, o processo, justamente porque materiais podem ser abandonados se não cumprem o esperado. Esse é o limite da experimentação puramente matérica.
Espero ter ajudado.