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PatríciaFranca

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 Assunto: Catálogos de exposição
 De: Hélio Nunes
 Para: Patrícia Franca
 Data: 18-08-2006 08:30:51

Olá Patrícia,

fiquei muito feliz com sua palestra e ainda mais com sua atenção. Tinha notícias do seu interesse pelo catálogo de exposição, mas não sabia da profundidade.

Meu projeto propõe uma abordagem do catálogo como forma de arquivamento das instituições que promovem exposições (e não das obras expostas como seria de se esperar). Caso se interesse, pode lê-lo em PinturaCatálogosProjeto.

Meu grande problema inicial tem sido encontrar algo sobre a história do catálogo ou qualquer outra discussão sobre catálogos. Todo mecanismo de busca (na internet, na biblioteca etc.) responde a “catálogo” listando catálogos; e como há catálogos aos montes e de todos os tipos, qualquer artigo sobre o tema fica perdido na miríade de seu próprio objeto. Daí minha pergunta espantada quando conversamos: “Como você encontrou algo sobre catálogos?” Devia ter completado: “… em um mundo cheio de catálogos”. :)

Bem… Supus que a origem dos catálogos coincide com a fotografia a não ser que consideremos as descrições dos críticos (desde o século XVII) e as “reproduções” em gravuras uma espécie de catálogo. De qualquer maneira, fiquei alvoroçado quando você falou sobre o primeiro deles! Seria muito frutífero se pudesse ler o artigo que você mencionou estar “na prensa”. Não é preciso se preocupar com a questão da referência, já que minha pesquisa ainda engatinha.

Agradeço muito e espero ser capaz de retribuir.

Abraços.


 Assunto: Re: Re: Catálogos de exposição
 De: Hélio Nunes
 Para: Patrícia Franca
 Data: 18-08-2006 18:01:24

Olá Patrícia,

muito obrigado! Estou imprimindo o texto.

Quanto ao Broothaers, Duchamp etc., estive muito próximo deles neste último ano enquanto desenvolvi minha iniciação científica junto com a Mabe. Fiz inclusive o copidesque do trabalho da Luísa (http://www.eba.ufmg.br/museologia/); o que foi muito proveitoso. Tenho um apreço especial por Mark Dion e, com ele em mente, mas desviando-me, criei uma coleção de tatogartas que começou coleção entomológica (com aparência que lembra %McCollum%) e acabou se tornando uma loucura completa. Procurei abordar questões como classificação, ordem e repetição pela via do nonsense. Ficou muito engraçado o “relatório técnico-científico” (esse é o nome que a PRPq impõe): alguns trechos parecem ao desavisado uma pesquisa científica e não artística; mas de um cientista louco, completamente. :)

A idéia de abordar catálogos é justamente um desdobramento desse contato com o colecionismo e suas instituições. A idéia começou a surgir de uma discussão sobre a importância da reprodução em um contexto de acesso restrito à obra de arte como o nosso, uma discussão sobre o que chamo “cultura de catálogo”. Na época pensei muito nos museus de Malraux “morando” na biblioteca, nos livros de arte. Mas achei que pesquisar o livro deslocaria o foco para fora das instituições de arte (acabaria lidando mais com as editoras, talvez); daí a idéia do catálogo como um ponto médio – e portanto privilegiado – de “artificação”.

Mas a idéia foi além. Me parece hoje que o catálogo é mais importante que a obra de arte e que a exposição justamente porque aciona uma “máquina de arquivo” que, pesada e custosa, dá a devida legitimidade e autoridade. Importa saber a quem legitima e autoriza, se à obra, se à exposição, ou se à instituição que as abriga. Uma das hipóteses do projeto é que as instituições que expõem arte se tornaram na realidade fábricas de catálogos, indústrias de arquivos…

Pronto. Acabou de imprimir. Faltou dizer que, dessa brincadeira toda com o catálogo, pretendo desenvolver um objeto metodológico (serão trabalhos visuais, provavelmente) que chamo “pinturas para catálogos”.

Vou ler o texto, olhar os anarquivos e logo te procuro.

Estou me sentindo com sorte, muita sorte! Nem sei como agradecer.

Abraços.


PinturaCatálogos