A melhor referência para fórmulas e técnicas é o “Manual do Artista”, de Ralph Mayer, editado pela Martins Fontes. Resolvi incluir aqui algumas fórmulas e dicas sobre têmpera que experimentei pessoalmente durante a disciplina “Técnicas e Materiais Pictóricos”, ministrada pela Profª. Maria Angélica Melendi (Profª. Piti), na UFMG.
A têmpera tradicional é uma mistura da gema de ovo com pigmento, formando uma tinta solúvel em água, mas relativamente resistente a sobre-pinturas. A gema contém albumina e lecitina, respectivamente, um óleo não-secativo e um emulsificador.
Depois de seca, suas cores mantêm-se muito próximas às do pigmento, não havendo muita interferência do medium, exceto pelo brilho característico quando a tinta é aplicada em diversas camadas. Além disso, as pinturas não se tornam amareladas com o tempo e não sofrem rachaduras tardias: se a pintura não rachou logo depois de seca, não rachará mais.
O pigmento deve ser seco e em pó fino. O “pó xadrez”, apesar de sua pobreza tonal, é um bom ponto de partida para experiências.
O suporte deve ser rígido e pode ser papel (Montval, por exemplo), madeira (cedro) ou tela montada sobre suporte de madeira (folhas de compensado com mais de 1cm). O suporte é preparado tradicionalmente com gesso e cola de coelho em três camadas (encolagem, gesso grosso e gesso fino). A tinta látex (branca para interiores) tem sido largamente usada como substituto.
Uma das características mais interessantes da têmpera é o registro das pinceladas. A direção e o formato do pincel ficam bem aparentes e podem ser utilizados, inclusive, como recurso tonal. O pincel recomendado para têmpera é o de pêlo macio (orelha de boi, por exemplo) e as pinceladas devem ser suficientemente delicadas para não retirar mecanicamente a camada inferior.
Um bom exemplo de uso moderno da têmpera é a obra de Volpi (ver Google).
Separe a gema e retire a pele, adicione água em igual quantidade, as gotas de óleo de cravo e triture o pigmento.
O óleo de cravo servirá para evitar o crescimento de bolor; e, segundo Mayer, deve ser adicionado “apenas o suficiente para permitir que seu odor seja perceptível”. O óleo serve também para evitar enjôo com o cheiro de ovo que fica fortíssimo se a pele não for retirada.
O pigmento deve ser misturado gradativamente até o ponto de emulsão. Convém fazer testes até obter a proporção mais adequada: uma superfície suficientemente colorida sem acúmulo, grumos ou pó solto. A tinta resultante terá relativa opacidade (menor que guache; maior que aquarela) e pode ser diluída à vontade.
Idêntica à têmpera tradicional, com adição de óleo de linhaça. Cuidar para que a mistura transforme-se em emulsão, sem separação visível entre óleo e água: adicione o óleo pouco a pouco.
O óleo aumenta o tempo de secagem da tinta e confere à pintura seca uma textura aveludada e opaca. Apesar da adição de óleo, a tinta mantém-se solúvel em água. Não use seus pincéis de aquarela pois o óleo vai se acumular neles.
Idêntica à têmpera tradicional, sem adição inicial de água, com adição de óleo de banana.
O odor e a textura lembram muito o esmalte de unha (não usar para este fim pois o pigmento pode ser extremamente tóxico!) e o resultado final é agradavelmente brilhante. A tinta mantém-se solúvel em água.
O óleo de banana pode ser utilizado, puro, como camada final para proporcionar maior resistência e brilho.
Resolvi usar um mix de óleo com verniz porque descobri que o óleo de banana facilita imensamente a emulsificação do óleo de linhaça na gema.
Bater a clara em neve, separar em um recipiente fechado e aguardar a completa decantação (coloque na geladeira). Misturar pouco pigmento ao soro resultante.
A clara é uma solução coloidal de albumina praticamente pura. Foi muito utilizada como cola. Sua utilização como medium, entretanto, é bem restrita. Demonstra-se uma técnica relativamente interessante para pintura em papel, já que tem a transparência da aquarela com um certo toque aveludado.
É bastante distinta da têmpera a ovo em todos os aspectos, principalmente pelo efeito ótico do medium que é muito intenso. A seguir, um email de Oswaldo Pullen:
Atendendo a pedidos que tenho recebido em pvt, segue receita básica (muito básica) para trabalhar com têmpera vinílica, utilizando palheta reduzida (poucas cores).
1. Preparação da palheta
Colar as forminhas (pode ser com cola epox) na palheta, distribuídas em meia lua, ou em “u”, se a palheta for quadrada. As formas devem manter uma distância de pelo menos 1 cm entre cada uma (para evitar que os pigmentos se misturem…). As forminhas também podem ser uniformemente distribuidas em torno da palheta, nesta meia-lua.
Como a fórmica é muito lisa, seria interessante arranha-la onde vão ficar as forminhas, para criar superfície mais adequada para aderência.
2. Preparação da mistura
Pegue um vidro (uso de geleia) bem lavado, e coloque 60% de cascorez e 40% de água. Se você não confiar no fungicida que, teoricamente, já deve vir no cascorez, pingue umas 4 gotinhas de formol (tem gente que usa amônia) para evitar a futura possibilidade de fungos.
3. Colocando os pigmentos
Coloque um pigmento de cada cor nas forminhas. Seria melhor seguir a ordem preto/azul/verde/amarelo/vermelho/branco. Ou o inverso… Esta mesma ordem vale se vc estiver usando mais pigmentos, sempre caminhando do frio para o quente, ou o inverso, com o branco numa ponta e o preto na outra.
4. Acessórios
É bom ter uns dois vidros de maionese cheios de água, para lavar os pincéis, e um pano velho para enxugá-los.
5. Pintando
Molhe o pincel na mistura, tire o excesso passando-o na palheta, e encoste-o ligeiramente no pigmento desejado. Volte para a palheta e misture bem o pigmento com a solução de cascorez. E mande bala!