DERRIDA, Jacques. Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.
Prefácio
- conceito de arquivo, dimensões técnica, política, ética e jurídica
- desastres do fim do milênio (conferência proferida em 1994)
- “arquivos do mal”
- detenção, retenção, apropriação dos documentos => quem tem autoridade sobre o arquivo?
- memória, retorno à origem; arcaico e arqueológico; e também lugar de autoridade
- psicanálise: marca e tipografia
- estocagem, cifragem; também censura e recalcamento
- psicanálise pertence a um momento técnico e político; o que ela é hoje?
- arquivo pressupõe lugar de impressão
- suporte: atual ou virtual
- arquivo no corpo => circuncisão => psicanálise é uma ciência judaica?
- mal de arquivo e também mal radical, que “destrói o próprio princípio de arquivo”
Introdução
- palavra “arquivo” => arkhê
- começo: princípio físico, histórico, ontológico
- comando: princípio nomológico
- arkhê do comando => lugar => ordem, com duas possibilidades:
- seqüencial
- jússica (o que é isso???)
- nota
- Segundo Cornelius Castoriadis, apud Lílian do Valle. Ainda sobre a formação do cidadão: é possível ensinar a ética?. Educ. Soc. v.22 n.76. Campinas. Oct. 2001 (http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302001000300010#6): “phusis: o impulso endógeno, crescimento espontâneo das coisas”, segundo uma ordem que lhes é própria. “Nómos: a palavra, geralmente traduzida por ‘ordem’, significa, originalmente, a partilha, a lei da partilha, portanto, a instituição, o uso (os usos e costumes), a convenção e, em última análise, a convenção pura e simples”.
- Tekhnê nomos: arte/capacidade de convencionar?
- arkhê do princípio
- phúsis x thesis, tekhnê nomos etc.
- mas há vários princípios
- palavra “arquivo” tanto abriga a memória do termo “arkhê”, quanto a esquece
- archivum/archium => archive => arquivo, vêm de arkheîon: residência dos arcontes (os que comandavam) e onde eram depositados os documentos oficiais
- arcontes eram responsáveis/poder:
- segurança (do depósito e do suporte)
- hermeneutica / interpretação
- “dizer a lei” => guardião e localização
- passagem do privado ao público, mas não do secreto ao não secreto
- casas que se transformam em museu:
- topo-nomologia => domicilio é, ao mesmo tempo, visível e invisível => “verdade patriárquica”
- além de lugar, poder:
- unificação, identificação e classificação: poder de consignação
- con / signar: reunir símbolos
“A ´´consignação tende a coordenar um único corpus em um sistema ou uma sincronia na qual todos os elementos articulam a unidade de uma configuração ideal. Num arquivo, não deve haver dissociação… O princípio arcôntico do arquivo é também um princípio de consignação, isto é, de reunião.” p. 14
- ameaçar a consignação (através do secreto e do heterogêneo) ameaça a teoria do arquivo e a possibilidade de sua institucionalização
- nota
- Sonia Combe. Les peurs françaises face à l’histoire contemporaine, Albin Michael, 1994. => “arquivo ‘recalcado’” como “poder… do Estado sobre o historiador”
- lei e história que autorizam a instituição do arquivo estão em processo de desconstrução (questão democrática); em xeque:
- secreto e não secreto
- privado e público
- direitos de propriedade e acesso
- publicação e reprodução
- classificação e ordenação
“Em todos estes casos, os limites, as fronteiras, as distinções terão sido sacudidos por um sismo que não poupa nenhum conceito classificatório e nenhuma organização do arquivo. A ordem não está mais garantida.” p.15