Leituras
COOKE, Lynne. Bernd and Hilla Becher. Dia Center. Disponível em: < http://www.diacenter.org/exhibs_b/becher >. Acesso em: junho de 2004.
- arquitetura industrial tem sido o único assunto dos Bechers por 40 anos
- vasto inventário fotográfico
- desde a Europa Ocidental até América do Norte
- taxonomia de enorme grupo de edifícios de tipos heterogêneos, muitos fadados à obsolescência, classificados em relação à função
- final de 1950
- Bernd começou a fotografar tais assuntos para pinturas ao estilo Neue Sachlichkelt
- Hilla (née Wobeser) trabalhava em agência de propaganda onde desenvolveu paixão pelo assunto
- 1957, começaram a trabalhar juntos
- assumem as mesmas funções (não dividem o trabalho)
- primeira publicação: “Anonyme Skulpturen: Eine Typologie Technischer Bauten” (Esculturas Anônimas: Uma Tipologia de Edifícios Técnicos), 1970
- discurso e prática de arte contemporânea
- “The question if this is a work of [fine] art or not is not very interesting to us”, declarou Hilla
- “a controlled beauty”, segundo Charles Wright
- disciplina para focar a relação entre a função do motivo e sua representação fotográfica
- câmeras de grande formato, filmes de grão fino, uso de luz difusa com sombras mínimas aumentam o foco no motivo, que é revelado com excepcional clareza formal
- nada pode perturbar a sistemática neutralidade estética
- acima do objeto, à metade de sua altura (???)
- aparece inteiro e sem distorções
- parece destacado de seu ambiente
- grade (desde metade de 1960)
- facilita comparação imediata/direta
- sem hierarquia
- organizados de acordo com tipo, função ou material
- comparação ocorre principalmente no nível formal, já que nenhuma informação econômica, técnica, nem funcional é disponibilizada
“Differences and similarities among related motifs consquently appears as variations on an ideal form, given that the structures are family members from the same species”.
- 1989--91, introduzem novo formato: imagens individuais apresentadas em grandes dimensões
- galerias expunham assuntos específicos, recriando as tipologias (???)
- formato herdado das publicações
- “Framework houses (1977)”
- “Water Towers (1988)”
- “Blast Furnaces (1990)”
- “Pennsylvania Coal Mine Tipples (1991)”
- primeiros livros contavam com textos que contextualizavam historicamente as diversas tipologias; isso era reforçado pelo uso de datas nos títulos
- textos dos livros mais recentes consideram mais a função das estruturas e títulos não contém datas
- abstraem o assunto do ambiente sócio-histórico em favor de uma relação do espécime com a espécie ou classe
DEMEESTER, Ann. Bernd and Hilla Becher: Industrial structures: Stedelijk Museum. Modern Painters, v. 15, n. 4, p. 148, winter 2002.
GALLOWAY, David. Bernd and Hilla Becher, Cologne, Kunstverein. ArtNews, v. 90, n. 1, p. 173, jan 1991.
- descritos tanto como minimalistas quanto como conceituais, mas imunes às modas
- 1957 primeira série de fotografias em p&b de torres d’água
- insistência monumental no centro do quadro
- posteriormente todo tipo de relíquia industrial
- documentos são um tipo de arqueologia industrial
- não existe nostalgia
- arquitetura é fotografada frontalmente, sem sugestão de perspectiva ou contexto, não há sombras, nuvens ou traços de atividade humana
- estruturas tornam-se abstratas e assumem qualidades formais
- olho do espectador é educado para perceber variações e surpreendentes nuances nas séries
- 1969 termo “esculturas anônimas” para descrever seu motivo
- receberam o prêmio Leão de Ouro por escultura (e não por fotografia) na Bienal de Veneza de 1990
- justaposição com composições escultóricas “encontradas” de Reinhard Mucha
HERMES, Manfred. Repetition, disguises, documents: How photography has pervaded two decades of contemporary german art. FlashArt, n. 148, p. 96-101, oct 1989.
KUSPIT, Donald. Bernd and Hilla Becher, Dia Art Foundation, Sonnabend Gallery. Art Forum, v. 28, n. 8, apr 1990.
- relação com August Sander
- força do “achatado”
- implicação da socialização
- prédios dos Bechers são militantemente planos
- não estão documentando a arquitetura, mas como ela pode ser devastadoramente ordinária
“At the same time, they show – perhaps without realizing it – how plainnes is self-defeating, comes apart at the seams, as it were, and becomes bizarre”.
- tipologia de prédios reforçada pelo agrupamento de imagens
- imagens são sobre fisionomia social
- não porque certo uso necessita de certa estrutura, mas o que tal estrutura significa por si
- cada edifício está socialmente associado com uma atividade de vida – a estrutura codifica a atitude
- edifícios são pessoa pública com dois modos de existência: falsa personalização (“Framework Houses”) e despersonalização (estruturas industriais)
KYRACOU, Sotiris. Thomas demand/Gerwald Rockenschaub: Victoria Miro Gallery, Bernd & Hilla Becher: II Duke Street; Erwin Wurm: the Photographer’s Gallery. Art Monthly, n. 243, p. 2931, feb 2001.
TRELCAT, Sophie. Bernd et Hilla Becher: l’usine épinglée. Art Press, n. 305, p. 50-5, 2004.
- sobre a retrospectiva no Pompidou Center, de outubro de 2004 a janeiro de 2005
- começaram a atrair atenção nos anos 70, seguindo a esteira do minimalismo, apesar de não integrarem este movimento
- comparável ao trabalho enciclopédico do entomologista, com misto de desapego e rigor científicos e obscessão amorosa – espécie de credo
- nasceram na década de 1930 e estudaram arte no período de reconstrução pós-Guerra
- começaram a contribuir em 1957, logo depois de se conhecerem
- idéia de realismo documentarista
- objetividade e registro social: escolheram os símbolos da era industrial
- Bernd fotografava este assunto para servir como modelo para pinturas e Hilla se interessou em técnicas fotográficas e temas mecânicos quando trabalhava em agência de publicidade
- suas primeiras fotografias foram tiradas no vale Ruhr e depois na Holanda
- em 1964-65, estenderam sua área de atuação para a Europa: Bélgica, França, Luxemburgo e Inglaterra
- em 1968, expandiram seu escopo para os EUA
“And so the have continued, methodically recording for posterity an industrial heritage doomed to destruction”. p.51
- abordagem visionária: já estavam bem adiantados em seu arquivo fotográfico quando a noção de arqueologia industrial ainda engatinhava na Inglaterra dos anos 60
- vários dos locais inventariados em meio século passaram do abandono à reabilitação e alguns são marcos pertencentes à lista da UNESCO
- trabalho antecipa museologia industrial e ilustra as sucessivas fases do desenvolvimento industrial:
- materiais tradicionais: catedrais e barracas
- aço e concreto: gigantismo estrutural e precedência da forma sobre a função
- estruturas puramente produtivas não permitiam agregação de valores formais nem de quaisquer outros relacionados ao mundo do trabalho – bidimensionalidade das imagens demonstra justamente isso:
- no limite da celebração da beleza e poesia do mundo industrial
- transformam os gigantes industriais em formas veneráveis e eternamente imóveis (originalidade em relação às outras celebrações)
- contemplação da função por si (e não do trabalho)
- ausência do homem
- plano frontal
- arquitetura industrial é determinada pela lógica da eficiência e pelo desenvolvimento tecnológico
- impressão de excesso irracional: busca da máxima eficiência acaba criando convulsões e profusões assemelhadas aos ornamentos barrocos
- uma dada tipologia nos permite observar em que grau ocorre adaptação da forma para aplicação específica da estrutura em determinada fábrica ou mina
- precedência da tecnologia sobre forma – Sullivan: “forma acompanha função” – é deixada de lado a partir de 1950, transformando os Bechers em “naturalistas” trabalhando com espécies fadadas à extinção
- não são nostálgicos:
- excluem presença e atividade humanas
“… they center reportage on industrial buildings in such a way as to reveal their inhuman.” p. 53
- parâmetros estritos
- edifício sempre ocupará o mesmo espaço no centro da foto
- sua imagem sempre será planificada (como no desenho técnico)
- técnica fotográfica tilting e racking
- do sólo, ortogonais são planificadas [movimentos de câmera???] e horizonte tem a mesma altura da base da estrutura
- do alto, não ocorre distorção (exceto as das lentes) e é possível mostrar o horizonte
- lentes telescópicas [long focal ???], achatando a perspectiva
- lentes grande angulares, estrutura pode ser capturada sem necessidade de distância
- realidade é sutilmente deformada
- estruturas são mostradas de forma impossível ao olho humano, mas parecem realistas
- alguns poucos trabalhos são apresentados individualmente
- em sua maioria são apresentados em grades de 9, 12 ou 15 imagens, montadas de acordo com o tipo, função ou material dos edifícios, conduzindo à comparação
ZIEGLER, Ulf Erdmann; HERD, Michael [trad]. The Bechers’ industrial lexicon. Art in America, jun 2002. Disponível em: < http://www.findarticles.com/p/articles/mi_m1248/is_6_90/ai_87022990 >. Acesso em: maio de 2005. [Consta no sistema WinSPIRS 2.1 como publicado no v.90, n.6, June, 2002. p.92-101, 140-3 da revista impressa].
ZORPETTE, Glenn. Dynamic duos. ArtNews, v. 93, n. 6, p. 164-9, summer 1994.
Outros artigos recentes
(a)rtigo, (b)iografia, (e)ntrevista, e(x)posição
- (a) BLANK, Gil. The Evidence. C Magazine. n.77, Spring, 2003. p.8-11.
- (b) GALLOWAY, David. Industrial Revolutionaries. Art News. v.102, n.2, Feb, 2003. p.112-15.
- (x) Bernd und Hilla Becher. Kunstforum International. n.161, Aug/Oct, 2002. p.370-1
- (e) Bouruet AUBERTOT, Veronique. B. and H. Becher: inventaire industriel. Beaux Arts Magazine. n.204, May, 2002. p.39
- (x) NOLDE, Philippe. Bernd et Hilla Becher: la photographie objective. Connaissance des Arts. n.583, May, 2001. p.28
- (e) SAUSSET, Damien. La photo objective des Becher. L’Oeil. n.526, May, 2001. p.38-43.
- (x) BRITTAIN, David. Bernd and Hilla Becher: Harris Museum and Art Gallery. Creative Camera. n.353, Aug/Sept, 1998. p.42.
- (e) FRICKE, Roswitha; FRICKE, Marion. Bernd and Hilla Becher. Art Press. n.17, [special issue], 1996. p28-32.
Anotações antigas...
- Bio
- alemães
- 1931 e 1934 respectivamente
- conheceram-se em Düsseldorf, onde ele estudava pintura e ela, fotografia
- começaram a colaborar em 59
- casaram-se em 61 (?)
- primeira exposição em 63, em Siegen, cidade natal de Bernd
- 4 Documentas (72, 77, 82 e 2002)
- Bienal de SP (77)
- vários catálogos publicados (MIT Press)
- várias retrospectivas
- professores de fotografia na Staatlichen Kunstakademis em Düsseldorf
- trabalho
- fotografias P&B de arquitetura industrial
- áreas abandonadas economicamente onde outrora havia intensa atividade produtiva
- não introduzem sentimentalismo ou drama nas fotografias
- reconhecem a natureza temporal destas estruturas
- irracionalidade do mundo industrial
- imagens objetivas de arquiteturas anônimas
- estruturas na região sul de Westphalia (Alemanha) e depois nos EUA e Europa
- fotografias são geralmente exibidas em grupos
- organizam centenas de imagens segundo tipologias, o que incentiva a busca por pequenas variações
- aparente simplicidade é resultado de opções meticulosas visando produzir imagem legível (que revela essência do objeto através de sua superfície):
- câmera de grande formato
- plano frontal (relação com documentos do séc. XIX)
- céu nublado exclui o drama, a luz e a sombra
- distância constante, evitando distorções
- todas as cópias são do mesmo tamanho e emolduradas de forma semelhante (regularidade do formato e não noção de repetição)
- procuram exemplos típicos, não por duplicatas
- interesse por estruturas que revelem sua função
Alunos
“E com sua classe de fotografia na Academia de Artes de Düsseldorf, eles formaram artistas, cujos trabalhos são considerados clássicos hoje em dia. Os mais famosos alunos da Escola Becher, e o trio de mais sucesso da história alemã da fotografia, são Thomas Struth, Thomas Ruff e Andreas Gursky, chamados abreviadamente de ‘Struffsky’. Struth é o pioneiro da estética de fotografias a cores de grande formato. Suas fotos estão muito próximas da pintura: elas não são determinadas pelo momento, mas apenas pelo objeto. Ruff sempre faz novas e diferentes series de fotos, fazendo assim da sua mídia o próprio objeto das suas pesquisas fotográficas. O interesse de Gursky está sobretudo no fenômeno da cultura de massa: com distância objetiva, ele fotografa bolsas, parlamentos, concertos de música pop e lojas.
Entre os alunos de Becher, Candida Höfer se preocupa com interiores, Thomas Demand e Simone Nieweg – agora já representantes da segunda e terceira gerações – colocam, além disso, a cor em primeiro plano e uma apresentação de museu como quadro, na maioria em formato de mais de dois metros. Com esta ação artística, a fotografia assegurou definitivamente seu lugar no museu. Hoje não se fala mais da classificação de ‘pintor’ ou ‘fotógrafo’.”
Janet Schayan. A nova visão das coisas. Deutschland Online. Março, 2005. Disponívem em: < http://www.magazin-deutschland.de/issue/Struffsky_2-05_POR_P.php >. Acesso em: junho de 2005.
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