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2010-10-12 O cu acentuado

> Dessa polêmica toda, o que ainda não entendi é por que o cu com acento é mais cu que o sem acento?

É muito simples Fofão: pega o cu, monossílabo e portanto oxítono terminado em “u”, do que pela norma em exercício da última flor do Lácio, inculta e bela, deduz-se sem acento, e enfia nele o traço oblíquo para a direita, de forma que – quanto maior melhor – diferenciar-se-á o verdadeiro “cú” dos outros cus que nessa flor habitam. E com este cu assim grafado “cú” não sobrará dúvida de que tal não faz parte da sequência “ca, ce, ci, co…”, cuja temática é apenas justapositiva, mas sucedâneo daquela que acertadamente vocalizamos “cá, que, qui, quo…”, de forte apelo morfossintático, pelo enfiamento, na abertura apical do tipo ‘u’, de uma barra que lhe é estranha. De forma que, indo além, proporia que a melhor família tipográfica para apresentá-lo é a das lineares grotescas, diretas e sem rodeios, não deixando de notar, entretanto, ser muito tentador usar também, em algumas situações, a família das góticas bastardas ou schwabacher pela forma espinhenta que a abertura apical adquire no tipo ‘u’, tornando difícil a interpenetração da barra no oco do tipo.