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2010-07-01 Porque desisti da pintura

Há alguns dias me fizeram essa pergunta: “Por que você desistiu da pintura?” Eu não soube responder e por isso acatei timidamente a tirada bem bolada da Piti: “A pintura é que desistiu dele.”

Anos atrás, quando concluí a disciplina Modelo I na EBA-UFMG, presenteei meu então professor e hoje amigo Zé Roberto Schneedorf com o livro Manual de Pintura e Caligrafia do Saramago. Minha motivação foi parte irônica, parte justificatória: a questão já era mais ou menos a mesma.

Ontem a pergunta se repetiu e respondi casualmente sobre minha já antiga inclinação para a teoria e como compreendo minha atual produção escrita quase como objeto artístico. Não bastou, então disparei uma meia-mentira: “Continuo pintando, só não acho que a pintura tem tanta relevância teórica hoje” – farei mistério sobre qual das orações é a mentirosa.

E agorinha assisti a um filme exemplar sobre o limite: Aquiles e a tartaruga, de Takeshi Kitano. Ainda sob o impacto da tragicomédia, talvez seja essa a resposta: é um limite meu, cujo sintoma é o fato de nunca ter tentado realmente vender uma pintura. É como se eu estivesse sempre pintando secretamente um segundo retrato, tal como o personagem de Saramago – no que admito uma boa dose de vaidade.

Bom, basta assistir ao filme; está passando na TV a cabo. Vale também essa bela resenha de Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro.