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2010-01-19 Uma foto de Ouro Preto

Não há melhor lugar para descansar. Wanda e eu vamos todos os anos, geralmente em janeiro – eu gosto do calor e de alguma chuva em Ouro Preto: para mim é uma cidade de veraneio, pois acho difícil suportar as noites frias e sempre arrumo uma torção no inverno…

É impressionante como sempre somos bem recebidos na Hospedaria Antiga, onde ficamos no quarto voltado para a ladeira de Santa Efigênia, de onde podemos ver também o Pico do Itacolomi. Além disso, sempre comemos maravilhosamente no que chamamos, brincando, de "truste" dos Tropia; e bebemos a “fresca” nos botecos “da última” espalhados nos cantinhos da parte mais baixa da cidade. Não há nada melhor que tomar uma cerveja sob as árvores próximas à Ponte da Barra ou no largo atrás da Igreja do Pilar.

Por isso, para achar esses lugares, andamos sempre a pé, sempre: não se conhece Ouro Preto de carro, é necessário andar e muito. Para mim, que geralmente fico uma semana, subir e descer as ladeiras só é difícil no primeiro e no último dias: no primeiro falta preparo físico, no último a panturrilha dói um pouco.

Mas vale a pena, pois há sempre um ângulo, uma figura, um acontecimento; e, sobretudo, há a população. Nos cafés geralmente há um artista ou intelectual para conversar, mas o especial é o trabalhador ouro-pretano. Na rua, pedimos informações mesmo sem precisar só para puxar papo: são todos sempre solícitos, amigáveis e altivos (ainda mais agora, com os avanços na área social do Governo Lula), sem a timidez e a falsa subserviência que incomoda em algumas cidades interioranas. Há claro, muita gente se oferecendo como guia turístico, mas nunca são incômodos; basta recusar uma vez.

Depois de subir a ladeira de Santa Efigênia, sempre encontramos um bom conversador – acho isso muito interessante. Dessa vez a Igreja de Santa Efigênia estava fechada, em restauração, mas visitamos o Centro de Cultura Afro-Brasileira ao lado, com uma boa exposição sobre o congado do fotógrafo Dimas Guedes. (Dicas para subir a ladeira: 1- compre água antes de subir; 2- para ir ao banheiro, basta pedir a chave na casa paroquial; 3- desça o outro lado até a Capela do Padre Faria). Dessa vez, então, a conversa foi sobre os personagens folclóricos de Ouro Preto e sobre a riqueza da “Igreja dos Pretos”, como é chamada.

Não bastasse a afinidade, a beleza de Ouro Preto é ímpar; e nós vamos lá principalmente para apreciar as formas, para sofrer um pouco a síndrome de Stendhal. Mas, por mais estranho que pareça, como artista, acho uma cidade ingrata para fotografar, pois constantemente tenho a impressão de captar as mesmas imagens clichê. É a cidade da democracia fotográfica, sem dúvida: qualquer turista tira fotos maravilhosas sem muito esforço… Do que se deduz que poucos artistas trabalharão com sucesso o casario e as igrejas de Ouro Preto…

Bom. Finalmente fiz uma fotografia de Ouro Preto que é “uma foto de Ouro Preto”, mas um pouco diferente:

Uma foto de Ouro Preto.
Uma foto de Ouro Preto.