“Na minha opinião ela já foi tarde!”, disse um colega.
Mas colocar no lugar uma pessoa que nada tem a ver nem mesmo com Belo Horizonte, ainda menos com arte? Nas palavras do Sr. Martim de Andrada: “A escolha foi por critérios do prefeito e da Fundação. Eu aceitei porque entendo ter algo a somar. O fato de eu ser advogado e ex-prefeito pode agregar na função de gestor do museu.” (Tempo) E aí fica a pergunta: o que, afinal, um advogado (como advogado) e ex-prefeito (como ex-prefeito) pode “agregar” a um museu? Um museu de arte, sabemos, exige um diretor que pelo menos saiba o que é um “museu de arte”.
O MAP tem ido bem nos últimos anos justamente porque os responsáveis por ele finalmente compreenderam seu papel para a arte contemporânea de BH. A Bolsa Pampulha, já tão ameaçada, vai continuar? E o que o Museu passará a exibir? Digamos que o Marconi ou outro curador venha a propor uma exposição polêmica e que seja essencial hoje; um Leon Ferrari, que adoramos, por exemplo. Será que o Sr. Martim, o “gestor”, terá cacife ou vontade para sustentá-la? A Priscila ao menos teria vontade.
Na verdade, todas as indicações da Fundação Municipal de Cultura foram estritamente “políticas”. Excetuando o Carlão, que tem alguma relação com o teatro e entrou na Diretoria dos Teatros, nenhum dos outros, parece, jamais trabalhou com cultura. Incluíram MAP, Casa do Baile, CRAV e MHAB no loteamento comum de cargos. Isso é um problema sério, acho. Será que essas instituições devem ser tratadas como SLU, Sudecap e BHTrans? Não havia nos partidos da coligação nenhum artista, curador, crítico ou “amigo do Museu” para colocar no MAP; nenhum cineasta, artista do audiovisual, historiador do cinema ou “amigo do CRAV”; nenhum historiador ou cientista da conservação para o MHAB? Será que não?
Talvez o pior seja isso: o critério de escolha, parece, foi não ter qualquer relação com os movimentos artísticos e culturais, como se tal relação fosse, antes de tudo, suspeita.
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