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2008-03-27

Reunião do GrupoPesquisa. Este semestre, vamos discutir textos essenciais do Hal Foster, a começar do Artista Como Etnógrafo.

Fotografia de reunião com a FMC no MAP, em 2006
Fotografia de reunião com a FMC no MAP, em 2006

Aproveitamos para conversar sobre as novidades em Inhotim – quem viu gostou muito dos novos pavilhões, um de Doris Salcedo, com a obra Neither, e outro de Adriana Varejão. E também sobre o panorama das artes em BH. Comentamos a decisão da curadoria do MAP de obrigar os participantes da Bolsa Pampulha a exporem fora do Museu (na cidade), e aventou-se a possibilidade de isso ser – apesar das aparências – um retrocesso na proposta da Bolsa: não estaria a “velha cepa” loteando novamente o espaço expositivo do Museu, empurrando para fora do “lugar nobre” os jovens artistas? Há, parece, atas da Fundação Municipal de Cultura que comprovam essa suspeita. Hei de procurá-las ainda hoje.

Essas questões me interessam muito. Desde o artigo que escrevi para o MAPCríticaContexto, ando pensando se não houve mesmo uma mudança significativa em Belo Horizonte. Iniciei a pesquisa PinturaCatálogos com o pressuposto de que BH ainda era muito carente de instituições sólidas, apesar das experiências importantíssimas de Inhotim, da Bolsa Pampulha e do Palácio. Talvez tenha sido exagero meu ou realmente uma mudança radical no panorama nesses últimos dois anos.

Esta semana, o jornal Pampulha (pequeno semanário da família Medioli) foi inteiramente dedicado ao recente boom aqui. Uma das matérias tem como título “BH se firma como pólo produtor e difusor de arte contemporânea com exposições significativas e sedutoras”. Cheguei a ser procurado por uma das jornalistas, mas acabei não tendo tempo para contribuir. Na ocasião, me chateou um pouco a (insistente) inclusão da mostra de Gringo Cardia que, apesar de muito significativa, não deve (a meu ver) ser confundida com arte contemporânea. Para mim, trata-se de um importante e prolífico designer, que merece reconhecimento como tal e não como artista. Fora isso, a iniciativa do jornal é muito bem vinda.

Então talvez tenha mesmo ocorrido uma mudança em BH. Dois anos atrás, por exemplo, encarava o Inhotim com muitas reticências. Acreditava ser iniciativa descolada da vida artística belorizontina, algo afastado da cidade física e filosoficamente. Mas tive notícia de que tem sido notável o salto de qualidade dos alunos da EBA que trabalham lá como monitores. Isso muda tudo: a formação é (para mim) a principal tarefa dos museus, notadamente os de arte contemporânea.

Parece ter se estabelecido sim uma ponte entre Inhotim e BH; o que talvez seja fruto da contratação do curador Rodrigo Moura em 2006 – a quem cabe nossos parabéns.