Sou Hélio Nunes (DeDaLu), artista etc., e este é o meu caderno de notas e diário de bordo. Anoto aqui impressões, comentários, críticas, teoria e tudo o que está relacionado à minha vivência e pesquisa da arte contemporânea, principalmente em Belo Horizonte. É um blog e também um wiki (SobreWiki).
Meu amigo blogueiro Fofão enviou o link Candidato posta vídeos 'picantes' no YouTube para fazer propaganda eleitoral, com o lacônico comentário: “Começou a criatividade… eu mereço…”
Com bom humor, fui ver os tais vídeos. O primeiro, Loira Sensual em Noite Secreta no Motel, chamou minha atenção pelo título planejado segundo os princípios SEO (Search Engine Optimization), de forma a coincidir com uma das buscas mais comuns no Google – “loira” e “motel”. Vi o vídeo e, diversamente dos demais espectadores que deixaram comentários irados, continuei achando graça, pois havia algo estranho, e não era a referência ao adultério – “Oi querido. Não, eu não estou sozinha. Estou com Jeferson Camillo!”
Fui ver o segundo, Negro e Loiro em Noite Secreta no Motel. O mesmo título com SEO, a mesma frase é dita, mas dessa vez, um casal homossexual. Daí não consegui mais parar de ver: Garota Revela seu Segredo no Motel – cujo segredo é óbvio desde o primeiro segundo; Loiro e Negro em Noite Secreta no Motel – isso mesmo, uma simples inversão do segundo vídeo; e por aí foi até Casal é Surpreendido em Banheira de Motel – que ganhou o seguinte comentário:
Imediatamente pensei em Jeff Koons e numa possível apropriação da linguagem dele pelo movimento GLBTTTS, daí meu comentário:
Se fosse arte, mereceria ir à Bienal! Trataria-se de hábil utilização de uma série de poéticas contemporâneas: 1º) um candidato fictício e uma campanha fictícia; 2º) vídeos que mimetizam perfeitamente um dos mais rentáveis braços da indústria cultural – com direito até a making of – , o pornográfico; 3º) um roteiro recursivo que reutiliza absurda, incansável e habilmente o mesmo cenário, o mesmo enredo, os mesmos personagens, a mesma música…
É uma pena não ser arte…
Se há um pintor que ainda vale a pena ver esses dias é o Alan. É claro que há outros, mas ele está próximo e por isso me permito afirmar. A exposição abre amanhã, dia 12 de agosto, na CEMIG, e vai até 2 de setembro.
Está no ar no novo site da Casa de História, http://www.casadehistoria.com.br, desenvolvido por mim através do Drupal, uma poderosa plataforma de gerenciamento de conteúdo (content management framework, CMF, em inglês) baseada em código livre, complementado com uma série de módulos de colaboradores e acrescido com um estilo personalizado para a Casa de História, garantindo toda a funcionalidade do CMF sem deixar de lado a identidade visual.
O destaque do site é o conteúdo de História, que estamos publicando gradativamente. Em breve será um recurso essencial para estudantes e interessados em História, com textos, charges, mapas e muito mais.
“Os poetas têm que se armar” – disse o poeta.
“Se armar” contra a crítica, seria o caso… Mas ele não viu o que eu vi imediatamente depois que ouvi essa frase. Eu estava assistindo televisão. E têm mesmo que se armar, penso eu: “Cidades e soluções”, Rede Globo (que apoia Serra, mas antes a mulher verde, Marina Silva, para ver se vem um 2º turno): um pimentão com uma pintinha vai para o lixo orgânico, que fica armazenado nos fundos do ‘Zona Sul’, a 5 grau centígrados, para não dar cheiro ruim, que os clientes sentiriam, mas cujo gasto em energia tem compensação, pois virá uma destinação nobre: adubo!
Vão a merda! E os empregados carregando aquele pimentão com uma pintinha… sem dúvida gostariam de ter aquele fenômeno agricultural em sua mesa! Que coisa é essa que a classe idiotamente rica e “ecológica” dispensa? E os empregados que não têm grana para comprar no ‘Zona Sul’ carregando o tal pimentão com pintinha para uma geladeira e depois para o adubo! Nem xepa, nem beira: num país de fome, isso é ecologia? Tudo muito verde, com muita responsabilidade ecológica…
Sim, os poetas têm que se armar de indignação e parar de aparecer na Rede Globo.
Há alguns dias me fizeram essa pergunta: “Por que você desistiu da pintura?” Eu não soube responder e por isso acatei timidamente a tirada bem bolada da Piti: “A pintura é que desistiu dele.”
Anos atrás, quando concluí a disciplina Modelo I na EBA-UFMG, presenteei meu então professor e hoje amigo Zé Roberto Schneedorf com o livro Manual de Pintura e Caligrafia do Saramago. Minha motivação foi parte irônica, parte justificatória: a questão já era mais ou menos a mesma.
Ontem a pergunta se repetiu e respondi casualmente sobre minha já antiga inclinação para a teoria e como compreendo minha atual produção escrita quase como objeto artístico. Não bastou, então disparei uma meia-mentira: “Continuo pintando, só não acho que a pintura tem tanta relevância teórica hoje” – farei mistério sobre qual das orações é a mentirosa.
E agorinha assisti a um filme exemplar sobre o limite: Aquiles e a tartaruga, de Takeshi Kitano. Ainda sob o impacto da tragicomédia, talvez seja essa a resposta: é um limite meu, cujo sintoma é o fato de nunca ter tentado realmente vender uma pintura. É como se eu estivesse sempre pintando secretamente um segundo retrato, tal como o personagem de Saramago – no que admito uma boa dose de vaidade.
Bom, basta assistir ao filme; está passando na TV a cabo. Vale também essa bela resenha de Marcelo Rodrigues Souza Ribeiro.
Nunca faltarão últimas palavras. “Adeus” sem dúvida não é uma.
Um triste aniversário meu, me alegra um livro de presente.
Antigamente a melhor forma de ficar por dentro do que estava acontecendo na arte era frequentando um grupo de discussão por email, mas infelizmente houve um desaprendizado geral sobre como se comportar em comunidades desse tipo e discussão é o que menos ocorre hoje em dia. Em vez disso, recebemos enxurradas de “convites” para vernissages às quais nunca poderíamos atender. Tudo bem se a lista é regional, mas é ridículo receber tantos (mantenho as aspas) “convites” em uma lista nacional ou internacional. Dizer que vai expor na China é apenas uma tentativa fútil de autopromoção e todo mundo sabe disso: “Olha gente! Vou expor na China! Vocês obviamente não aparecerão, mas estão convidados!” Seria muito melhor mandar fotos da exposição, até para receber elogios… Mas isso nunca acontece. E nós temos mais o que fazer, não é? Então eu desisti da “discussão” e parei de ler listas. Se gosto do blog de alguém ou de alguma instituição, assino o WikipediaPT:RSS; se gosto ou desgosto do texto, então comento.
Mas muitas vezes o que quero mesmo é ver as vernissages, até porque parte da minha pesquisa é sobre o e[s|x]pectador habitual da arte contemporânea: com ‘s’ e com ‘x’, isto é, como o espectador se comporta frente ao que espera, já que não há muita surpresa hoje em dia (… mas isso é pauta para outra ocasião). Outros poderão se interessar pelos tipos, pelas roupas, pelas palavras e nomes-chave etc.
O Youtube e outros sites de vídeo não servem só para besteira. Há cada vez mais vídeos mostrando vernissages, intervenções e entrevistas no Brasil e no mundo, inclusive na China. Em geral, são gostosos de assistir e, às vezes, tiram aquela dúvida atroz sobre o trabalho que vimos em uma fotografia.
Acompanhar vários “canais” usando o navegador pode ser maçante; por isso, o mais prático é assisti-los através de WikipediaPT:VodCast (semelhante ao RSS dos blogs). Me adaptei muito bem ao Miro, software livre e multiplataforma que baixa os vídeos automaticamente (em HD se disponível), enquanto faço outras coisas. É realmente muito interessante!
Eis uma lista dos vodcasts que assino:
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Anotações sobre pesquisas em que me envolvi:
Meu procedimento artístico e algumas idéias desconexas: