Sou Hélio Nunes (DeDaLu), artista etc., e este é o meu caderno de notas e diário de bordo. Anoto aqui impressões, comentários, críticas, teoria e tudo o que está relacionado à minha vivência e pesquisa da arte contemporânea, principalmente em Belo Horizonte. É um blog e também um wiki (SobreWiki).
Análise, review: furada.
Comprei no Walmart o Computador SpaceBr - AMD Phenom X4-9650, 8GB, HD 1.000GB (1TB) porque a configuração me pareceu interessante para as 12x sem juros no cartão. Bom, acabou de chegar e imediatamente percebi que ele não possuía sequer a ventoinha do gabinete. Engraçado, mas liguei os fios, conectei tudo e 5 minutos depois (isso mesmo: 5 minutos depois!) ele desligou automaticamente, talvez por super-aquecimento… Nem sequer testei a memória ou os discos… Não fiz nada, só entrei no Windows pré-instalado. Contatei o Walmart para devolvê-lo; fui bem atendido e espero que corra tudo bem.
E resolvi escrever aqui para alertar outros possíveis compradores sobre a péssima qualidade dos produtos montados pela SpaceBr:
Perigo, Perigo! Perigo, Perigo! Perigo, Perigo! Perigo, Perigo! Cuidado Will! Cuidado Will! Cuidado Will! Cuidado Will!
Não há melhor lugar para descansar. Wanda e eu vamos todos os anos, geralmente em janeiro – eu gosto do calor e de alguma chuva em Ouro Preto: para mim é uma cidade de veraneio, pois acho difícil suportar as noites frias e sempre arrumo uma torção no inverno…
É impressionante como sempre somos bem recebidos na Hospedaria Antiga, onde ficamos no quarto voltado para a ladeira de Santa Efigênia, de onde podemos ver também o Pico do Itacolomi. Além disso, sempre comemos maravilhosamente no que chamamos, brincando, de "truste" dos Tropia; e bebemos a “fresca” nos botecos “da última” espalhados nos cantinhos da parte mais baixa da cidade. Não há nada melhor que tomar uma cerveja sob as árvores próximas à Ponte da Barra ou no largo atrás da Igreja do Pilar.
Por isso, para achar esses lugares, andamos sempre a pé, sempre: não se conhece Ouro Preto de carro, é necessário andar e muito. Para mim, que geralmente fico uma semana, subir e descer as ladeiras só é difícil no primeiro e no último dias: no primeiro falta preparo físico, no último a panturrilha dói um pouco.
Mas vale a pena, pois há sempre um ângulo, uma figura, um acontecimento; e, sobretudo, há a população. Nos cafés geralmente há um artista ou intelectual para conversar, mas o especial é o trabalhador ouro-pretano. Na rua, pedimos informações mesmo sem precisar só para puxar papo: são todos sempre solícitos, amigáveis e altivos (ainda mais agora, com os avanços na área social do Governo Lula), sem a timidez e a falsa subserviência que incomoda em algumas cidades interioranas. Há claro, muita gente se oferecendo como guia turístico, mas nunca são incômodos; basta recusar uma vez.
Depois de subir a ladeira de Santa Efigênia, sempre encontramos um bom conversador – acho isso muito interessante. Dessa vez a Igreja de Santa Efigênia estava fechada, em restauração, mas visitamos o Centro de Cultura Afro-Brasileira ao lado, com uma boa exposição sobre o congado do fotógrafo Dimas Guedes. (Dicas para subir a ladeira: 1- compre água antes de subir; 2- para ir ao banheiro, basta pedir a chave na casa paroquial; 3- desça o outro lado até a Capela do Padre Faria). Dessa vez, então, a conversa foi sobre os personagens folclóricos de Ouro Preto e sobre a riqueza da “Igreja dos Pretos”, como é chamada.
Não bastasse a afinidade, a beleza de Ouro Preto é ímpar; e nós vamos lá principalmente para apreciar as formas, para sofrer um pouco a síndrome de Stendhal. Mas, por mais estranho que pareça, como artista, acho uma cidade ingrata para fotografar, pois constantemente tenho a impressão de captar as mesmas imagens clichê. É a cidade da democracia fotográfica, sem dúvida: qualquer turista tira fotos maravilhosas sem muito esforço… Do que se deduz que poucos artistas trabalharão com sucesso o casario e as igrejas de Ouro Preto…
Bom. Finalmente fiz uma fotografia de Ouro Preto que é “uma foto de Ouro Preto”, mas um pouco diferente:
Pintura para catálogos: notas sobre o arquivamento da arte, minha dissertação de mestrado, foi aprovada com indicação para publicação! Agradeço à minha banca – Edson Rosa da Silva (UFRJ), Patrícia Franca (UFMG) e Maria Angélica Melendi (Piti, minha orientadora, UFMG) – pela leitura atenta e pelo elogio mais desejado pelo pesquisador. Agradeço também a todos os amigos e colegas pela força e pela presença na defesa.
A partir do estudo de catálogos de exposição evidentemente institucionais segundo as relações que produzem dentro da biblioteca, introduz o conceito/provocação pintura para catálogos e verifica sua possibilidade retomando a discussão da arte como fotografia, negligenciada em seu surto mais universal. A partir da pintura fotografada e da percepção de que o museu sucumbe a um vetor de valores cuja ponta é o valor de arquivamento, busca determinar as características da nova relação da arte com seu arquivo em nossa era digital, problematizando tal relação segundo dialéticas não conciliatórias inspiradas em Benjamin, sempre procurando a perspectiva da reanimação ante a reificação – no que obtém apenas sucesso parcial. Para isso, operacionaliza o conceito de museu imaginário de Malraux, defendendo-o ante as críticas de Crimp, transportando-o para o tempo presente, aguçando sua dubiedade e retrabalhando as noções de ressurreição e recriação fotográfica para propor uma pauta de engajamento que consiste em seguir-produzindo (conceito derivado de Foster) uma arte caracterizada pela difusão (metáfora luminosa) e pela diminuição (conceito derivado de Benjamin). Tal produção é marcada pela possibilidade de uma dupla substituição concomitante a um duplo registro da obra de arte, o que torna a distinção entre original e cópia desimportante e até indesejável, visto que a defesa dos “valores do original” geralmente garante o livre movimento do poder-saber em espaços diagramáticos identificados como fábricas de catálogo. Para sondar o funcionamento dessas fábricas e propor escapes, constrói outra definição de catálogo baseada no conceito de arquivo, segundo as concepções de Derrida e Foucault, e busca alternativas de uso. Explicita, então, essas questões no contexto artístico de Belo Horizonte, recorrendo a alguns “textos de artista” marcados pela informalidade.
Eu e muitos outros apelamos com a Folha. Já havia cancelado a assinatura no episódio da “Ditabranda” e só compro esse jornal obrigado. Mas agora com o caso do César Benjamin, resolvi fazer campanha contra.
A Folha está ameaçando os que publicam esses banners acima de processo por uso indevido dos logotipos. Foda-se. Segui a proposta do Mello: “Baixe para seu computador e suba para seu blog ou rede social.” e aí estão as imagens. Quero ver a Folha me processar!
Há outras imagens muito legais abaixo, mas acho que essas primeiras, justamente por terem sido censuradas, são as mais importantes.
Estou fixado em catálogos, todo mundo já sabe – pode ser que isso passe depois de minha defesa, dia 21. Se vejo um fora da estante, paro e vou logo perguntando o porquê dele estar ali em uso, como se todos os catálogos do mundo competissem a mim. Não por ciume. Sempre procuro demonstrações de minhas hipóteses sobre o catálogo, mas é raro encontrar um interlocutor que entenda minha euforia diante de um simples exemplar aberto.
Ontem tive uma ótima surpresa: a Liliza Mendes tinha montado uma pequena exposição na “piscina” da EBA-UFMG; segundo ela, Tri-bi, em referência às dimensões. Chamei atenção para o fato de quase todos os “bi” serem catálogos: —Realmente –concordou a Liliza– só conhecemos a maioria dessas obras pelo catálogo. —Até mesmo o Abaporu… –emendei. —Que está na Argentina –completou.
Fiquei pensando na falta do Abaporu, nas discussões se ele deveria estar no MALBA ou no Brasil, se realmente deveria haver essa “reserva nacional” de obras que merecem ganhar o mundo, e na contrapartida óbvia de que as obras de importância mundial raramente ficam no Brasil… Mas isso logo passou, pois mesmo que o Abaporu estivesse ali na galeria da EBA, ainda assim, o catálogo teria sido aberto.
A ausência física da obra é apenas um gatilho histórico para que o catálogo assuma papel substitutivo. Desde então não há mais volta: o catálogo sempre substituirá – inclusive a obra presente. Minha tese principal é que as pinturas não podem mais ser vistas fora do catálogo, isso é usadas, acessadas, compreendidas.
Essa fotografia demonstra isso. Apesar de distante fisicamente, o Abaporu, está presente, duplo-substituído pelo catálogo e complementado pelo “tri” dele derivado. Verificada essa presença junto com Antropofagia, notamos então uma ausência gritante: onde está o Sol Poente? O catálogo de Tarsila do Amaral passa a ser essencial ele domina nossa percepção e, por isso, nossos sentidos giram em falso: onde está a parte “bi” do complemento Tri-bi Sol Poente?
→ Arte Pintura para catálogos Liliza Mendes Mestrado Pesquisa
O que fazer num dia de chuva senão uma charge?
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Anotações sobre pesquisas em que me envolvi:
Meu procedimento artístico e algumas idéias desconexas: